Há semanas tenho tentado escrever algo para postar aqui, mas não me sentia inspirado, estava travado…não sei se pelos pequenos problemas do dia a dia ou se pelo fato de ainda remoer pequenas coisas acontecidas no mês passado. Mas ontem, numa insônia bem útil, consegui por pra fora todo o ódio que sentia no meio de muito choro e intermináveis socos no travesseiro.
Não sou muito de falar sobre a minha sexualidade aqui no blog, mesmo porque nunca tive uma relação negativa com ela e as experiências até então vividas por mim não eram tão importantes, porém nesses últimos meses tenho tido uma visão menos romântica da minha homossexualidade.
O ódio que sentia era resultado de toda frustração que tive com os excessos do ambiente gay e com a marioria das pessoas que integram esse ambiente, me lembro de que quando tinha dezesseis anos eu pensava que quando pudesse frequentar a noite de São Paulo e ter um contato físico com outros gays iria ser o cara mais feliz do mundo e me sentiria completo. E talvez por ter tido esse contato tardiamente, se comparado com os garotos que conheço, tenho tropeçado a cada situação.
Não vou me referir apenas a futilidade, mesmo porque ela faz parte da vida de qualquer um e também é importante para alimentar uma conversa, o que realmente me incomoda é o excesso dela, assim como de tantos outros elementos sempre presentes, como por exemplo, a busca interminável por algo padronizado: o corpo perfeito, a vida perfeita, roupas perfeitas, namoros perfeitos(se é que podemos chamar de namoro relações que duram menos de dois meses). Claro que essa busca também ocorre entre os héteros, só que tenho a impressão de que acontece numa escala bem menor.
Projetos desenvolvidos especialmente para o público glbtt… não são respeitados, ongs sérias, que trabalham duro para desenvolver uma conscientização junto ao público, não tem reconhecimento algum e muito menos apoio para continuar seus trabalhos, em contrapartida vemos a The Week, dentre tantas outras boates, mais cheia a cada fim de semana, bares como o Bocage cada vez mais frequentados. Não que eu seja contra ter um momento de distração e diversão ao lado dos amigos, pelo contrário, mas é só isso que temos a oferecer?
Esse tipo de reclamação não é exclusividade minha, conheço e debato muito esse assunto com pessoas bem próximas a mim que, inclusive, não perdem a cabeça por uma cueca Calvin Kline e muito menos se descabelam para saber sobre a vida pessoal da Britney Spears. Conheço caras que não suportam música eletrônica, que realmente se sentem violentados em lugares que poderíamos chamar de abatedouro e, mesmo fazendo parte da minoria, adoram ser gays.
O blog é um espaço que gosto de dividir minhas idéias, sendo certas ou erradas, coerentes ou não. Sei que o “mundo” gay pode ser bem melhor do que esse vivido e feito por muitos, falo isso porque sou gay e gosto de ser o que sou, de ser quem eu sou. Também sei que ser gay está muito além do que responder se sou ativo ou passivo.
Beijos!
There is a light that never goes out, The Smiths

